Sistema de apuração do novo Imposto sobre Bens e Serviços será testado em janeiro
O governo do Estado está na linha de frente da construção do
novo modelo tributário do país. A Receita Estadual e a Procergs, com demais
estados e municípios, avançaram neste mês para a fase final de desenvolvimento
do Sistema de Apuração Assistida do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que
entra na fase de testes em janeiro do próximo ano. Na prática, a ferramenta usa
a base de dados dos documentos para calcular o valor a ser pago pelo tributo,
seguindo as normas da legislação.
O ambiente piloto já entra no ar incorporando um dos
principais diferenciais da reformulação tributária, que é a eliminação de boa
parte das obrigações acessórias do contribuinte - em linha do que têm sido, há
alguns anos, as diretrizes da Receita Estadual do Rio Grande do Sul.
“O sistema de apuração já fará quase tudo o que o
contribuinte precisa antes do pagamento do imposto, com base nos documentos
fiscais eletrônicos que foram autorizados no ambiente virtual. É a
materialização da obrigação fiscal única, que estamos trabalhando para colocar
em prática há algum tempo aqui no Rio Grande do Sul”, explica o subsecretário
da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira.
O novo sistema busca tornar mais efetivo o princípio da não
cumulatividade do tributo, um dos avanços mais comemorados pelos setores
produtivos. A ferramenta irá computar, em tempo real, os débitos e créditos de
cada transação processada, apresentando ao contribuinte o saldo efetivo do
imposto a ser quitado.
A redução da cumulatividade cruzada, que ocorria pela falta
de compensação entre diferentes tributos, acarretava a incidência de impostos
em cascata ao longo da cadeia produtiva e, em alguns casos, elevava o preço
final ao consumidor. O novo modelo é uma das apostas para reduzir a carga
tributária e promover mais transparência ao ecossistema tributário.
Apoio do RS em tempo recorde
O sistema começou a ser elaborado em abril deste ano, antes
de o Estado ser escolhido pelo Comitê Gestor do IBS, por meio de edital, para
liderar a execução dos sistemas de operação do IBS, o que ocorreu em julho.
Apesar da magnitude do desafio, imposta pelo prazo curto e grande volume de
regramentos - alguns ainda pendentes de regulamentação -, a primeira versão foi
entregue no final de novembro.
De acordo com o diretor-presidente da Procergs, Luiz
Fernando Záchia, a entrega dentro do prazo, considerada inviável por muitos, só
foi possível devido à longa trajetória e ao pioneirismo do Estado no
processamento de documentos fiscais eletrônicos. Atualmente, a Sefaz Virtual
autentica cerca de 30% das notas fiscais emitidas no país.
“A ampla experiência do Rio Grande do Sul no processamento
de notas fiscais eletrônicas, construída ao longo dos anos, foi decisiva para o
desenvolvimento desse sistema complexo em tempo recorde. Além disso, a formação
de um time multidisciplinar, envolvendo áreas de negócio, desenvolvimento,
tecnologia e infraestrutura, dedicado exclusivamente ao projeto, com a
participação de auditores fiscais do Rio Grande do Sul e de outros estados, foi
fundamental para o sucesso da iniciativa”, analisa Záchia.
Fase de testes
A Receita Estadual oficializou na última semana a criação do
Projeto Piloto do Sistema de Apuração Assistida do Imposto sobre Bens e
Serviços, dando mais um passo rumo à implementação gradual da Reforma
Tributária do Consumo (RTC). A iniciativa, regulamentada pela Portaria 85/2025,
servirá para testar, em âmbito nacional, a solução tecnológica de apuração do
IBS desenvolvida pelo Rio Grande do Sul. O piloto terá acompanhamento do Grupo
de Coordenação Estratégica do Comitê Gestor do IBS (CGIBS), órgão responsável
por operacionalizar o novo tributo a ser arrecado por estados e municípios.
A etapa de testes do módulo de apuração está prevista para
iniciar em 5 de janeiro, com duração de três meses. Nesta fase, serão
selecionadas cerca de 300 empresas que emitem a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e),
modelo 55 (para transações entre empresas), seguindo-nos requisitos de seleção
do CGIBS.
No segundo trimestre, o número de empresas participantes
será ampliado. A seleção dos contribuintes para a fase de testes ocorre em
dezembro. Caberá ao Rio Grande do Sul a validação dos documentos fiscais do IBS
de todo o país, com uma estimativa de processamento superior a 70 bilhões de
transações por ano.
A primeira etapa prevê a aplicação de uma alíquota teste, sem cobrança efetiva, de 0,1% do IBS. O novo modelo passa a valer integralmente a partir de 2033, com exceção da migração da cobrança do imposto no destino do bem ou serviço, que terá um período mais alongado de transição.
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